Ela levou tudo (quase) de mim!

És um monstro.

Instalou-se na minha vida sem eu dar por ela, ela que sempre passou ao de leve por mim e nunca me fez mal. Pensei sempre que ela só viria não para mim, mas para os outros. Pensei eu ser imune a tal criatura. Inocente, acreditei nessa imunidade e deixei-me levar, ela é matreira sabe levar a situação com muito controlo e cautela.
Não me apercebi. 
Analisou cada detalhe de mim, cada traço meu e decorou de maneira a que pudesse me manipular. Confiei demasiado, iludi-me demasiado mas sabia tão bem... era tudo uma mistura que me dava que era insaciável, agridoce
Talvez o que mais notei foi a ausência, a minha própria ausência! Eu já não era que em tempos a fintava e contrariava e que todos os obstáculos impostos era apenas uma mera diversão para mim.

Ausência do ser.
Ausência do acreditar.
Ausência de ser eu mesma.

Ela conseguiu conquistar tudo em mim e manobrar-me de tal forma brusca que eu, hoje, desconhecia isso. Transformei-me no ser que para ela, seria um dia perfeita, à sua mercê como se fosse sua escrava, e fui. Manipulava cada sorriso, cada toque, as feições do meu rosto que em tempos adorava as covinhas no rosto quando sorria, as palavras que saia da minha boca, planos do presente e do futuro era ela que traçava tudo isso. Futuro? Mesmo mergulhada na escuridão eu não conseguia prever o que aconteceria dali a 5 minutos, apenas o pouco da consciência que me sobrava agradecia que "hoje" estaria viva pelo dia que passou e que amanhã seria outro igual se acordasse.

Não és nada sem mim. És tudo o que tens! 

Ah diabo que ela consumiu tudo que tinha de bom e de mal. Aproveitadora!!! 
Revolta para quê? Ela castigava-me todas as vezes que a contrariava, era de tal maneira assustadora que com o tempo passou a ser tão normal e já sem dor que me habituei a todos os maltratos dados por ela. Consentia. 
Passaram-se anos e eu num círculo vicioso que eu já lidava com naturalidade e com normalidade que já nada podia fazer, ela apoderou-se de mim e é ela que me controla. Aquela sensação de sem chão era assim que vivia, sem planos, sem objectivos... 

Se pensares sequer me deixar vou atrás de ti e faço a tua vida num inferno.

BASTA!!!
Inferno? Já eu estava há muito e já era mais que tempo sair, pois ainda o pouco da dignidade que me restou com as poucas forças que tinha para não me tirares isso já é hora de mudar!! 
Ah... como tudo falado é fácil, eu tinha medo. Não por mim, eu estava imune a isso, mas tinha medo de tudo o pouco que me rodeava sofresse por minha causa. Não queria causar mais dor a quem me era querido, que, em tempos me segurei a eles e poucas forças fazia-me enfrentar tudo mas eu era fraca demais para aproveitar essas forças, escasseavam das minhas mãos.

És minha, somente minha.

É duro olhar para o espelho e não ver as covinhas do teu sorriso, não veres o brilho nos olhos... aquelas curvinhas da cintura que em tempos fora corpo de modelo. Tudo isso que tinha de mais belo era somente memórias de um passado longínquo ao qual já tinha perdido esperanças de um dia voltar a ser o que era: amar-me.
Falemos de amor, eu amava aquela criatura, como eu amava a sua manipulação e a sua forma de me envolver era tudo tão.... era tudo tão (...). Perguntavam muitas vezes a definição de amor e como esse poderia ser demonstrado e eu só tinha medo de responder, de falhar e iludir. Iludir com o amor? Quem nunca? Eu com pura ingenuidade tinha a definição de amor deturpada.
Amar é seres prioridade, seres criada, seres o que ela manda, não teres amor próprio pois isso não existe! É sentires-te lixo, a pior espécie do mundo e talvez do universo e todo seu envolvente, talvez seres uma zé ninguém ao dispor da outra.

És um monstro.

Ao fim de largos anos libertei-te depressão! Ai como tu foste tão cruel comigo, destruíste o que eu era, destruíste tudo de melhor de mim. Levaste minha alma, meu corpo contigo mas, hoje, eu disse basta e consegui libertar-me deste pesadelo que me induziste e hoje sou livre.
Custou, fizeste pior que droga, a ressaca que causaste era pior do que já tinha vivido. Chegaste a deixar saudades mas eu não queria voltar a viver nas emoções negativas que nem mostraste, eu queria libertar-me de vez de ti, de tudo o que possuis.

Estou livre!!!
Deixaste-me ir finalmente e criei anticorpos a ti para que tu se um dia me tentares sequer atraiçoares novamente, eu saberei defender-me. Tenho sorriso, tenho curvas, tenho futuro e objectivos graças ao amor próprio!
Eu venci!


Obs:. Este texto com autoria minha é apenas um desabafo sobre como uma pessoa me transformou e tanto mal me fez que me colocou com uma depressão grave. Este testemunho que faço é para alertar a toda a gente homens ou mulheres que acima de tudo amem-se e não mudem por ninguém! Amor próprio é o melhor que temos e nunca percam isso! A depressão veio e eu ainda hoje por muito que diga eu venci, ainda estou em fase de recuperação pois foram anos e as marcas ficam.
Mas vejo essas marcas como marcas de guerra e de forças para meu futuro repleto de coisas boas.

Amem-se ❤️

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4 comentários

  1. Nunca senti mas pessoas próximas a mim já passa por isso e quem tem vontade amor próprio vence tudo com muitas força se liberta. você é um exemplo .

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  2. Bem :( nem sei mesmo o que dizer . Mas já passou
    Beijinho grande

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  3. No que escreveste vejo-me reflectida.
    Tb "ela" passou por mim (e ainda cá está mas mt atrás dos meus calcanhares) e eu venci. Custou MT a levantar-me ( até literalmente) mas consegui.
    Força guerreira!

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  4. És uma pessoa muito forte! Um beijinho gigante 💗

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